
No discurso contemporâneo sobre yoga, a palavra desapego é frequentemente mal compreendida. Para uns, sugere fuga ao mundo; para outros, repressão do desejo ou negação da experiência humana. No entanto, quando regressamos à fonte — o Yoga Sūtra — percebemos que vairāgya não é empobrecimento da vida, mas o seu refinamento mais profundo. Este texto propõe uma leitura rigorosa e experiencial do conceito de vairāgya, articulando a tradição clássica do yoga com a realidade concreta do praticante moderno: alguém inserido na vida social, profissional e relacional, mas empenhado num caminho de lucidez, liberdade interior e estabilidade da consciência.