
O problema central do Yoga, tal como formulado por Patañjali no Yoga Sutra, não é metafísico nem moral: é funcional. A mente move-se. Oscila, reage, projeta, recorda, deseja e rejeita. Esse movimento constante — as vṛttis — impede que a consciência permaneça estabelecida na sua própria natureza. Depois de definir o Yoga como citta-vṛtti-nirodhaḥ (I.2), Patañjali apresenta, no sūtra I.12, os dois meios que tornam possível essa estabilização: abhyāsa e vairāgya. Nos sūtras I.13 e I.14, ele especifica o que entende por prática e quais as condições que a tornam eficaz. Estes três sūtras formam um bloco conceptual coerente. O primeiro apresenta o princípio. O segundo define tecnicamente a prática. O terceiro estabelece os critérios da sua maturação. Juntos, constituem a arquitetura da disciplina mental no Yoga clássico.