
Patañjali não começa por vender iluminação. Começa por descrever a confusão — e só depois a clareza. Depois de definir o yoga como a cessação das flutuações da mente no célebre sūtra I.2, Patañjali no sutra 1.3 avança imediatamente para a consequência desse processo. Sem suspense dramático, sem promessas místicas e sem linguagem inflamada, diz-nos simplesmente o que acontece quando a confusão mental abranda. No sūtra I.4, descreve aquilo que acontece na esmagadora maioria do tempo. Sem drama, sem condenações morais e sem espiritualidades decorativas, Patañjali limita-se a enunciar um facto: quando a mente não se aquieta, a consciência confunde-se com o que a mente faz. Simples. Preciso. E desconfortavelmente verdadeiro.