
Os softwares de grandes modelos de linguagem têm feito transformações no mundo do trabalho, da educação e também das redações jornalísticas. Em inglês, a tecnologia é chamada de "large language model" (LLM). O LLM mais conhecido é o ChatGPT, desenvolvido pela empresa OpenAI e lançado em 2022. Existem, no entanto, vários modelos atualmente. A Microsoft criou o Copilot. A Google lançou o Bard, recém batizado com o nome Gemini. Existem também os brasileiros MariTalk e Sabiá. Os grandes modelos de linguagem são treinados para processar uma quantidade massiva de dados e produzir textos, sons e imagens que são uma mistura do que já existe na internet. Os riscos do uso da Inteligência Artificial Generativa (IAG) abriram vários debates éticos e jurídicos. Uma das principais preocupações que as ferramentas de IA trouxeram é o perigo de serem usadas para criar deep fakes, vídeos e áudios de cenas e conversas falsas. A inteligência artificial e o uso de IAG são os temas da conversa desta edição com Álvaro Bufarah, professor dos cursos de Comunicação da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), doutor em Letras e vice-coordenador do Grupo de Pesquisa em Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Bufarah trabalhou na Rede Globo, na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e também no serviço de comunicação dos Estados Unidos - a Voz da América. Nos últimos anos, vários jornais, emissoras comerciais e organizações de serviço público de comunicação incluíram diretrizes sobre o uso de ferramentas de IAG em seus manuais de redação e boas práticas. Entre as empresas públicas internacionais que adotaram normativas para o uso de ferramentas de IA no jornalismo estão: a BBC do Reino Unido; a National Public Radio (NPR) dos Estados Unidos; e o grupo francês France Médias Monde (FMM). Bufarah lembra que as ferramentas de IA aumentam as fronteiras do debate ético. O professor e pesquisador disse também que as emissoras de serviço público de comunicação podem assumir a liderança na discussão sobre o uso responsável de IAG nas redações. "Agora com todas essas tecnologias, a lacuna ética se esgarça. Ela é aumentada. Nós temos uma série de ferramentas de checagem, de levantamento de informações que me permite fazer isso [reportagens e checagens] de uma forma mais organizada. Dá tempo de a gente produzir melhor, com um jornalismo mais eficiente, mais responsável, mais bem elaborado. As emissoras públicas deveriam andar na frente neste sentido", disse Bufarah durante a entrevista. Sugestão de textos e vídeos sobre o tema: Café Filosófico com Lucia Santaella: Presente do futuro A pesquisadora e professora Lucia Santaella aborda o tema da IA em um programa transmitido pela TV Cultura, 2022 Inteligência artificial e os impactos dos grandes modelos de linguagem na educação e na cultura informativa Jornal da USP, Magaly Prado, 2024 Inteligência Artificial na pesquisa científica: IA na ciência, na economia e na sociedade Revista USP Número 141, abril/maio/junho 2024. Editora: SCS/USP. Desafios da Inteligência Artificial no Rádio Discussões durante o 6º Simpósio Nacional do Rádio, sediado pela Câmara dos Deputados, 2024