
O título Batismo com sangue negro é o tema da dissertação apresentada como parte do processo para obtenção do título de mestre em Estúdios Culturales, pela Pontifícia Universidad Javeriana- Bogotá-Colômbia. O primeiro capítulo debatido pelo Dr. Paulo Cesar Ramos, pode ser escutado como uma tríade: racismo-classe- gênero. Como estas temáticas se conectam e dialogam com a formação sociohistórica do Brasil. Destacamos a formação do racismo brasileiro, a partir da ideia e invenção da América Latina, passando pelas heranças do império e do entulho da ditadura. No Brasil, em São Paulo e nas periferias, questões sobre raça e racismo, violência e genocídio, configurando-se como uma das principais peças do capitalismo, e a continuidade dos processos escravistas e segregacionistas. No capitalismo, desde sua gênese, até o atual modelo ultraliberal, o humano torna-se hierárquico, descartável, tem a raça como uma das definidoras de quem vive e de quem morre. Na escala brasileira, esse debate é extremamente complexo. Somos um país sustentado pela colonialidade, e não somente, como pelo entulho da ditadura que perpetua a violência, mapeia e epidermiza quem é o alvo de suas ações. Assim, estabelece-se um sistema completo e ambivalente de dominação / exploração / opressão / resistência / que atravessa múltiplas hierarquias que se renova a cada momento e no contexto situado. O fim do colonialismo não significou o fim da colonialidade (Quijano, 2005), portanto as instituições não foram descolonizadas.