
Anterior ao afrojuvenicidio, buscamos inspiração no escritor mexicano José Manoel Valenzuela Arce, que trabalha com a ideia de “juvenicidio” que tem sido utilizado para discutir a situação dos jovens que sobrevivem na América Latina, e que lidam com a rotina e o enredo de morticínio diário, seja no físico, mas também de mortes gota a gota, incluindo as mortes simbólicas, como a precarização da vida em todas as suas dimensões. Mais do que um labirinto epistêmico, é uma proposta a partir dos Estudos Culturais Latinoamericanos como uma reformulação e reproblematização contínua. Ao nomear o que se estuda, Valenzuela (2015), expande o juvenicídio a partir do feminicídio, e não só o situou contextualmente, como é possível ver um corpo teórico-pratico, antes invisível, agora tangível. O termo Afrojuvenicídio é mais do que um conceito, nos perguntamos por que a relevância ou não dessa ideia está sendo debatida. O que muda se a morte de jovens negros for categorizada como afrojuvenicídio e não como extermínio? Tentaremos propor ao debate, que a juventude afro, é mais do que uma palavra. Para a conversa, convidamos o professor da Universidad del Quindío. Gustavo Perlaza, que é assistente social e mestre em estudos culturais latinoamericanos, que buscou provocar uma reflexão a partir desta matriz teórica sobre qual relevância em nomear e categorizar, e as possíveis latências de conceituar para a práxis. Além de contar um pouco sobre sua experiência no território de El Charco- Colômbia, zona de conflito armado em que o afrojuvenicidio é comum. Com esta ideia de Afrojuvenicídio procuramos revelar, nomear, questionar e denunciar tanto o esvaziamento do sentido humano, a precariedade objetiva e subjetiva que põe em risco à vida, quanto os métodos de violência que expropriam e aniquilam a vida dos jovens negros.