
Homilia segundo domingo do tempo comum – 2024 Na oração inicial deste domingo invocamos a Deus que governa o céu e a terra. Deus não é somente criador, mas governa a criação por meio de diversas realidades e entre elas está a força de atração. Ele gerou em tudo que é criado um fascínio pelo alto, pelo infinito que muitas vezes se expressa no sentimento de incompletude e de vazio. Dizia Santo Agostinho que permanecemos inquietos enquanto não repousamos em Deus. Essa atração no ser humano se revela concretamente no chamado. Deus nos atrai para conhecê-lo, para uma missão, para a eternidade. Então, como podemos responder ao chamado de Deus? Tanto no livro de Samuel como no evangelho de João compreendemos que aquele que é chamado precisa da ajuda de alguém para discernir. Samuel estava com Eli, os discípulos tinham João. Diante das distrações do nosso tempo podemos correr o risco de não dar atenção a voz do Senhor. Ele fala conosco nos sacramentos, nos acontecimentos e na simplicidade do dia a dia. Em um primeiro momento podemos perceber que a pessoa chamada precisa ter a coragem de lançar-se, de conhecer suas profundas motivações: o que me faz seguir o Senhor? A pergunta de Jesus hoje se volta para nós: “que procurais?” Essa parece uma pergunta banal, mas não é porque entra na sede de nossos desejos mais profundos. Muitas de nossas procuras, daquilo que desejamos podem ser ilusões. Somente no Senhor somos capazes de direcionar corretamente nossos desejos. Os discípulos respondem que querem conhecer a casa onde Jesus mora. Isso significa que querem entrar na intimidade, conhecer o seu interior. No AT a casa de Deus era o templo de Jerusalém; com a morte e ressureição de Jesus o véu do templo se rasgou e agora a nova casa de Deus é o Corpo de Cristo. Nossa grande tarefa é desejar com todas as nossas forças abitar nesta casa, neste abrigo de ressurreição. Por último, o que impressiona é que uma vez dado a resposta autêntica, o que foi chamado se percebe com um novo modo de existir: vive enamorado pelo Senhor. Na primeira leitura lemos: “Samuel acreditou e o Senhor foi com ele”. A partir da resposta começa uma nova estrada, com desafios, alegrias e tristezas; mas agora o discípulo precisa aprender a confiar no Senhor, a deixar que ele fale, que ele mostre por onde andar. Inicia o tempo da obediência. No evangelho ao convite, vinde e vede, os discípulos deixam tudo e seguem o mestre simplesmente para permanecer com Jesus. Marcam inclusive a hora do encontro: “era por volta das quatro da tarde”. A hora do encontro é um tempo eternizado. Quando encontramos verdadeiramente o Senhor não precisamos mais de fixar no tempo, porque “já é e ainda não” o tempo do Senhor, a eternidade. Hoje o Senhor nos chama, nos atrai para si. É hoje o dia da resposta, é o tempo do nosso sim. Tenhamos a coragem de responder como Samuel: “fala, que o teu servo ti escuta.”