
Homilia do terceiro domingo do tempo comum – 2024. A liturgia deste domingo usa duas palavras chaves: andar e tempo. Termos que são indicativos de movimento e ciclo. Diante da ordem do Senhor, Jonas na primeira leitura se coloca em movimento, anda por Nínive anunciando sua palavra: “ainda quarenta dias e Nínive será destruída”. O tempo da conversão chegou! O dia da salvação é inaugurado. O povo por sua fez toma a decisão de tornar aquela palavra fonte de vida e não de destruição: fazem penitência como sinal de mudança de vida. A palavra de Deus não quer ser instrumento de condenação para a humanidade, mas instrumento de salvação. Tudo depende de como a acolhemos. Neste mesmo sentido Jesus no evangelho de Marcos toma a iniciativa de andar pela Galileia e proclamar o evangelho, a boa notícia. Em Jesus reconhecemos esse Deus que sempre toma a decisão de vir ao encontro da nossa humanidade com uma boa notícia. Não vem para destruir, mas para curar, para indicar um caminho de felicidade, para nos salvar. Nosso tempo precisa fazer as pazes com a imagem de Deus. Tantas vezes construímos uma ideia errada de Deus: temos medo da condenação, sentimento de culpa e acabamos por nos distanciamos de sua bondade. Na liturgia de hoje encontramos a imagem de um Deus que é pai, que anda nas estradas da nossa vida, que se responsabiliza em oferecer nos uma novidade repleta de felicidade. A novidade que Jesus nos trás é que o tempo se cumpriu e o reino de Deus é vizinho, muito próximo a nossa condição humana, então é hoje o dia da salvação, é hoje o dia da nossa conversão. Quantas vezes ouvimos essa palavra conversão. Quantas meditações fizemos com ela e quantos sentimentos de culpa alimentamos quando confrontamos essa palavra com a nossa vida. As palavras que saem da boca de Jesus não são uma ameaça, são um convite a transformar a nossa vida enquanto o seguimos. Converter não é simplesmente tomar uma decisão radical de mudança de vida, mas é, no olhar do Messias, acompanhá-lo, pisar os lugares que Jesus pisou, seguir seus passos. Assim é a graça de Deus que vai nos transformando, realizando a conversão. Então conversão é movimentar-se é uma ação cíclica como entrar em uma espiral que vai nos conduzindo ao céu. Entre quedas e reerguimentos o Senhor vai nos moldando. Então, a chamada dos primeiros discípulos não é colocada no evangelho ocasionalmente. Mas a providência de Deus quer nos mostrar que o Senhor chama a todos indistintamente. E segui-lo como convertidos não significa alimentar um sentimento de culpa. O verdadeiro convertido é aquele que decide “deixar as redes no mar” e se tornar discípulo, aprendiz. São aqueles que entram na pedagogia divina e decidem deixar-se guiar pelo Senhor. Suas vidas não são mais governadas por si mesmos, mas pelo Senhor. Seus passos são orientados para um sentido novo, para a eternidade. Hoje para nós é o dia da salvação, Ele entrou na nossa história para inaugurar o Reino de Deus. Que essa palavra se cumpra em nossas vidas. Amém.