
Homilia do primeiro domingo da quaresma – 2024 Neste primeiro domingo da Quaresma, adentramos um tempo penitencial, onde as cinzas nos recordam nossa origem, somos pó, e nos conscientizam da brevidade do tempo. Hoje é o dia propício para nossa conversão. Ao longo destes quarenta dias, acompanharemos Jesus no deserto, aprendendo com Ele a vencer as tentações. O deserto é uma bela imagem do nosso caminho humano; somos peregrinos nesta terra, com o céu como nossa pátria definitiva. Todos enfrentamos obstáculos em nosso caminho, manifestados como tentações, perseguições, escravidão a vícios ou idolatria a pessoas e coisas. Jesus, conduzido pelo Espírito ao deserto, não por pecado próprio, mas para se solidarizar conosco, nos ensina a nos aproximar Dele quando somos provados. Nosso desafio é encarar o deserto como um tempo de graça, uma oportunidade para nos aproximarmos de Jesus, aprendermos a ser filhos de Deus e acolhermos Sua aliança. No deserto, precisamos ter paciência para reconhecer os anjos enviados por Deus para nos servir. O evangelho relata que Jesus, embora provado, recebia consolação divina através dos anjos. O deserto é uma passagem necessária, da escravidão à liberdade, da morte à vida. Sem o deserto, não há ressurreição. Nossa tendência é encarar o deserto como insuportável, murmurando diante das dificuldades. O murmúrio indica que não compreendemos o propósito do deserto como uma fase de crescimento. Com Jesus, devemos interpretar as provas como oportunidades de crescimento no amor e na filiação. Deus está sempre ao nosso lado, apontando caminhos e oferecendo consolação. Precisamos abrir os olhos, pois aquelas pessoas que menosprezamos podem ser anjos que Deus colocou em nosso caminho para nos trazer consolação. O deserto nos lembra da força da água batismal, que nos purificou. A provação nos purifica e prepara para acolher com renovado ardor a graça que recebemos no batismo. A conversão anunciada pelo Senhor jorra em nosso interior como um rio de água viva. O batismo precisa ser a nossa resposta inicial diante das tentações: reconhecemos que temos um Pai, que somos filhos de Deus e herdeiros com Cristo da ressurreição. Quem pode vencer essa força em nós? Ninguém, pois pelo batismo participamos da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Que Deus nos auxilie nesse caminho pelo deserto.