
Homilia do segundo domingo da páscoa ou da divina misericórdia Hoje, celebramos o Segundo Domingo da Páscoa ou da Divina Misericórdia, momento em que Jesus ressuscitado se faz presente no meio de nós. Sua presença não se limita à nossa fé individual, mas se manifesta plenamente na comunidade, quando nos unimos em um só coração e uma só alma. Ele nos presenteia com os frutos pascais: a paz, o Espírito Santo, o perdão e a fé. Vamos refletir sobre cada um desses preciosos dons. O Evangelho de João nos relata que a primeira palavra de Jesus ressuscitado aos discípulos foi um cumprimento de paz. Mesmo com as portas fechadas e o medo ainda presente em seus corações, Jesus traz a eles uma paz que os enche de coragem e segurança. Essa paz é o cumprimento das promessas de Jesus, evidenciando que seu corpo está vivo, presente e acessível. Da mesma forma, nos sacramentos, recebemos a paz pascal, o primeiro fruto, para edificar um mundo onde conflitos, ódio, inveja e divisões podem ser superados pela força que emana desses gestos sagrados. O segundo fruto da Páscoa é o Espírito Santo, comunicado por Jesus através de um sopro. No batismo e na Crisma, recebemos o Espírito Santo como um presente divino. Ele habita em nós; é a terceira pessoa da Santíssima Trindade que nos acompanha ao longo de nossa vida cotidiana. O Espírito Santo nos estimula a seguir Jesus e nos orienta a testemunhar sua vida. Ele não substitui nossa consciência, mas age suavemente em nós, trazendo consolação na dúvida, companhia no sofrimento e correção quando nos desviamos do caminho correto. O Espírito Santo é também o promotor do dom do perdão. Este dom requer uma decisão e um compromisso por parte de cada um de nós. A comunidade cristã, renovada pela Páscoa de Jesus, forma o lugar onde o perdão floresce. Assim como somos feridos por outros, também ferimos nossos irmãos. O perdão começa com a decisão de permitir que o Espírito Santo aja em nossos corações, dissipando o ressentimento e o rancor. Em seguida, exige esforço, um compromisso de humildade ao reconhecer nossas próprias falhas e limitações. Aprender a perdoar é reconhecer nossa própria necessidade de perdão e aceitar nossa humanidade frágil. Por último, o texto nos lembra que Jesus ressuscitado guia seus discípulos no crescimento da fé, que é um dom recebido e vivenciado em comunidade. A fé isolada tende ao egocentrismo e pode nos levar à idolatria. Assim como Tomé precisava ver e tocar o corpo de Jesus para acreditar, também nós necessitamos desse toque de comunhão. Nos sacramentos, tocamos em Jesus e permitimos que Ele nos toque. Esse toque sacramental nos torna bem-aventurados: felizes aqueles que creem sem terem visto. Que neste Domingo da Divina Misericórdia, possamos crescer no dom da paz, acolher o Espírito Santo, praticar o perdão e fortalecer nossa fé. Que, através da dolorosa paixão de Jesus, Deus continue a conceder à humanidade os frutos de sua santa misericórdia.