
Homilia do terceiro domingo de páscoa 2024 A celebração da Páscoa nos leva a reencontrar uma verdade sobre nossa identidade: pelo Batismo, somos filhos de Deus, pois fomos incorporados a Cristo. Como tais, esperamos o dia de formarmos um só corpo com Cristo, aguardando a feliz ressurreição. Portanto, viver como cristãos é crescer a cada dia na espera de uma vida plena que já se inicia no hoje da nossa história. Assim como os discípulos do evangelho, a espera ou a compreensão das promessas de Jesus podem ser obscurecidas diante das cruzes. A cruz de Jesus pareceu para aqueles discípulos que tudo era uma grande ilusão. Seus corações ficaram confusos diante da ausência do Mestre que os perdoou, amou e ensinou. Esperavam que aquele Mestre fosse um rei poderoso, mas paradoxalmente foi a fragilidade da cruz que os reconduziu à verdade. É necessário reaprender a ler as Escrituras, ouvir novamente as promessas messiânicas à luz de Jesus. O primeiro passo para isso é encarar as frustrações, aceitar o turbamento e a dúvida: "Por que estais perturbados e por que surgem dúvidas em vossos corações?" É a primeira pergunta de Jesus no evangelho de hoje, que deseja iniciar em nós um processo de cura. A segunda pergunta de Jesus surge como um bálsamo para nossa falta de fé: "Tendes aqui alguma coisa para comer?" O Deus ressuscitado e glorioso é o mesmo da cruz. Ele se mostra carente, é um Deus faminto. Tem fome de conquistar nossos corações, tem fome de que tenhamos fome Dele. Ele senta-se à mesa, olha nos olhos dos discípulos, fala com a mesma intimidade com eles, compartilha uma refeição e, ao mesmo tempo, é a comida e a bebida que saciam para a eternidade. Irmãos na Eucaristia, Jesus ressuscitado dá-se a nós na palavra, no pão e no vinho consagrados e nos irmãos. Deus está no meio de nós, e precisamos permitir que Ele sacie nossa fome, que Ele preencha o vazio do nosso interior. Por fim, a cura da falta de fé vem da renovada maneira de ler as Escrituras. O Antigo Testamento fala de Jesus em tudo. São eventos onde Deus age para salvar o seu povo, mostrando-se como um Deus Redentor que realiza obras potentes de vitória ao longo da história. Ele o faz de modo simples e singelo, não usando os grandes, poderosos ou sábios, mas os pequenos e frágeis para confundir os grandes, os ignorantes para confundir os sábios e o sofrimento e o rosto desfigurado de Jesus para mostrar que caminha com nossa humanidade em nossos sofrimentos. Se permitirmos, nesta celebração, o Senhor quer abrir nossas mentes para compreender as Escrituras. Suas palavras querem reacender nossa fé. Ele disse: "Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e em seu nome será pregado a todos os povos a conversão e o perdão dos pecados, começando por Jerusalém. Disso vós sereis testemunhas." Abre, Senhor, nossa inteligência para Te reconhecermos vivo no meio de nós, Deus faminto, Deus sofredor que nos acompanha em nossos sofrimentos, Deus rebaixado que se fez pequeno para encontrar nossa pequenez. Ensina-nos a sermos Suas testemunhas no amor. Amém.