
Como é possível que os indivíduos, com suas peculiaridades e diferenças, convivam em sociedade de maneira organizada? Quem é o responsável pelo funcionamento e pela maneira como se apresentam as diferentes instituições sociais, como a família, a escola e o Estado? Serão os indivíduos capazes de rebelar-se contra as regras sociais e transformá-las? Ou, ao contrário, as regras sociais exercem uma força que restringe a capacidade de ação deles? Ao discutir a relação entre o indivíduo e a sociedade, a partir do final do século XIX, a Sociologia produziu três matrizes de resposta a essa questão, as quais podem ser simplificadas e compreendidas mediante o seguinte esquema: I) a sociedade determina os indivíduos, como evidenciam os fatos sociais; II) a sociedade é compreendida como resultado da ação social dos indivíduos; e III) a sociedade e os indivíduos são expressão das contradições de classe e determinam-se reciprocamente de acordo com os limites estabelecidos pelas condições materiais de existência em dado período histórico. Cada uma dessas respostas se vincula a uma tradição específica do pensamento social que constituiu a Sociologia clássica, isto é, as correntes teóricas fundadoras, que até hoje são reinterpretadas. Depois, surgiriam as interpretações sociológicas contemporâneas, que procuram acompanhar o movimento cada vez mais rápido de transformação das sociedades. É importante destacar que essa simplificação não representa um esquema evolutivo do pensamento dos autores apresentados. Antes, expõe uma maneira de compreender como é possível construir teorias que expliquem a forma como a sociedade age nos indivíduos e como os indivíduos compreendem sua ação em relação aos demais membros de uma sociedade.