
É carnaval ou Natal, eu fico até confuso?! Entra ano, sai ano... hohoho, e vem sempre a imagem do gordinho de roupa vermelha, sambando e cantarolando aquela marchinha de carnaval em dezembro que diz: Ei você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí!! É a tenebrosa caixinha de natal, que o único aspecto que gosto nela é a característica inclusiva, visto que precisamos de várias pessoas normalmente não párias da nossa sociedade contemporânea, tão cheia de estereótipos, rótulos e exigente em beleza. Veja só a caixinha tradicional precisa gerar imenso apelo sentimental, então, penso eu, é parte da estratégia da arrecadação o uso de papel de presente usado, de gosto artístico duvidoso, para revestir uma caixa, também já usada, e não raramente amassada. Sim acredite, dá trabalho escolher esse papel, ele deve ser usado, daquele tipo que sobra depois de uma guerra de bolinhas, bem amassadas, deve conter estampas assustadoras, com imagens daquele tipo de papai Noel que faz criancinha chorar, e de cores fortes, que quando bate sol em cima e você olha, ganha um glaucoma instantâneo! O corte do orifício, por exemplo, é feito por alguém sem habilidade ou paciência, que nem de perto está no espírito de natal, na verdade o único espírito ali, é obsessivo e possuiu essa pobre alma, alma que sofre de transtornos motores, e por conta disso sempre arromba o orifício por onde você, cliente, deve depositar seu suado dinheiro. O recado deixado sobre este item, de culto a perda de clientes, também conhecido como caixinha de natal, é sempre escrito por pessoas de pouca ou nenhuma instrução, quase sempre com erros de português, desnível na escrita e traços trêmulos e inseguros. Não sei se causados por limitação física de quem escreve, doença neurológica avançada ou movido pelo ódio do funcionário de não ganhar o bastante para pagar suas contas e ficar mendigando a clientes desavisados e fracos diante do constrangimento social. O fato é que é da responsabilidade do empreendedor, empresário, dono da baiuca, ou seja lá o que for este local que abriga tal item perigoso, pagar as contas dos seus colaboradores, não aos clientes. É da natureza destes estabelecimentos vender muito e bem, faturar e aí sim, dividir com a equipe uma parte do que ganhou fazendo bem aquilo que é pago para fazer. Cliente deve ganhar presente de natal, e não pagar de forma direta e constrangedora os custos de mão de obra. O preço de venda deve abrigar os custos da operação, mais margens e qualquer outra coisa que o empresário entender, mas por favor, respeite seu cliente e jamais, coloque ele numa sinuca de bico e cobre uma gorjeta. O comércio de rua, tão chegado a esses rituais de sacrifício de clientes precisa urgentemente mudar sua forma de ver o cliente, e tratá-lo como uma espécie em extinção. Shoppings e principalmente o mundo on line vem cooptando clientes e fidelizando, cada um que se aproxima, com formas de pagamento mais versáteis e/ou vantajosas, com entregas cada vez mais velozes, e trocas assustadoramente fáceis. Dica de natal: ponha seu vendedor para aprender tudo sobre os produtos e serviços comercializados ou invés de perder tempo com caixas esquisitas, e lembre-se que a concorrência agora é a China, o celular, o país inteiro. Boas compras e boas vendas! ROBERTO MENDES Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Autônoma de Lisboa, Publicitário, especialista em Marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC do Rio de Janeiro, pós-graduado em Engenharia Ambiental, é professor do MBA da UFRJ e da Estácio, Consultor de Empresas, e sócio da TargetComunica, agência de marketing On e Off Line na região Serrana/RJ.