
Sexo e consumo Já reparou como sexo é notícia e sobretudo, vende!? No passado a publicidade engatinhava e tinha uma linguagem absolutamente binária. Homens eram os personagens absolutistas, decisores e únicos portadores de dinheiro, em paralelo as mulheres eram citadas na publicidade como donas de casa, submissas e servis. Pouco a pouco as mulheres foram ao mercado de trabalho, ganharam seu dinheiro e a linguagem tornou-se igualitária, mantendo-se o aspecto binário em alguns segmentos como carros e cervejas, contra beleza e sabão em pó. Em algum momento as mulheres foram desvalorizadas e tratadas como simples objetos sexuais, que pareciam servir aos homens e que o mundo era daquela forma. Mulheres fúteis e homens poderosos. Não demorou muito, homens passaram a ter produtos, serviços e linguagem para beleza, roupas e bem-estar e as mulheres foram incluídas nos carros e bebidas, e tratadas como pessoas respeitáveis e decisoras. Agora a nova moda da publicidade é linguagem neutra, ícones assexuados ou multicoloridos, de modo a atender as diversas possibilidades deste universo complexo do sexo. É curioso como dinheiro e sexo; o que todos têm, fazem ou desejam, sejam itens tão cheios de tabu e tão intimamente correlacionados. Sexo e consumo são um prato feito para marcas, oportunizando e criando fatos irrelevantes travestidos de relevância. A mídia, como a publicidade adoram tendências para vender mais, serem falados e repercutirem. Não há dúvidas sobre o respeito, não se trata se quer de tolerância, mas de respeito as muitas opções sexuais, mas assim como hoje são usados por marcas e mídia, é claro, se trata de algo bem básico de apelo por vendas. A publicidade sempre foi a mais atualizada linguagem e uma sociedade, mas claro, sempre com uma componente de exagero, como se fosse uma caricatura de seu próprio tempo, acentuando defeitos e qualidades, e cabe ao comprador ou espectador desta linguagem saber reconhecer o que é defeito e qualidade em meio a tantas imagens e sons... Pobre de quem acredita em tudo que o jornalismo e a propaganda dizem. Na verdade, o que mais falta é verdade e o que quase sempre sobra é uma história mal contada, mas sempre muito bem paga. Afinal, a publicidade move o mundo, não esqueçam! Até a próxima semana.