
Já reparou que o mundo fatiou todos nós, tal qual o marketing? A qual minoria você pertence? Raça, sexo, idade, local, instrução, corrente ideológica, partido político, grana, atividade econômica, peso, beleza, são muitas segmentações. O sucesso do conceito da segmentação de mercado, tão fortemente utilizado pelo marketing para atender de forma mais personalizada e mais capaz de seduzir e fidelizar o público, é a mesma segmentação da vitimização, ajustadas a outros temas, princípios e, óbvio, objetivos, que resumidamente é utilizada para criar rupturas e cooptar almas solitárias em torno de um objetivo comum e nada nobre, me parece. A vitimização está em moda e a cada fatia que se corta desta torta de pessoas, se fortalece a separação, a distinção entre elas e, se não cresce o ódio, cresce a distância entre elas, e se esquece que somos todos muito mais parecidos do que diferentes. Dividir para conquistar é uma estratégia antiga de qualquer guerra, enfraquecer, criar desconfianças, estabelecer dúvidas, dar as pessoas a crença de serem especiais perante as demais, tudo isso são capítulos conhecidos do livro da dominação. Rachaduras são o que derrubam prédios e, na mesma lógica, pessoas. Vitimizar para dividir, não separa apenas pessoas de pessoas, mas separa a pessoa de seu sonho e potencial. Quanto mais acreditamos que somos vítimas de algo ou de alguém, menos acreditamos que somos capazes de fazer isso, e menos temos opções de alianças produtivas para essa realização, e quando percebemos estamos apenas cercados de vítimas como nós, de perdedores como nós, todos plateia de suas próprias vidas. O discurso de minorias, tão habilmente utilizado pela política, é um aparente enorme conforto, que explica em detalhes as angústias de quem se comove e se seduz, tal qual o marketing direciona produtos e serviços a consumidores mais desavisados que põem seu orçamento em risco para satisfazer consumos igualmente definidos e prometidos por terceiros. O que quase ninguém fala é que há um enorme espaço entre explicar e justificar. Uma linda propaganda explica porque alguém empenhou tantos recursos financeiros no item, mas jamais vai justificar que tal comportamento traga risco a saúde financeira da família como tanta gente faz. Na mesma linha muitas explicações podem parecer adequadas a vitimização de tomadas de decisão na vida, mas não irão justificar desistir de fazer, de melhorar e de acertar tais decisões. É bem óbvio que ser vítima é algo fácil de ser convencer alguém, mas a discussão deve avançar para etapa prática de consequências disso. Também parece notório que aceitar essa posição é abandonar a possibilidade de direcionar sua vida, consumo, destinos e realização! Bem melhor que vitimizar-se é aliar-se a tantos outros que querem sim, mudar, prosperar e melhorar, e que encontram dificuldades naturais de vencer da física dos negócios, carreiras e futuro, tão cheia de atrito, tão densa e tão imutável. Somente pessoas dispostas a não aceitar um não, somente o conhecimento, a persistência e valores serão capazes de vencer esse percurso e estarão imunes a serem vítimas de suas próprias vidas. Se houver dúvidas, pense comigo, sabe por que a segmentação de mercado funciona tão bem? É porque na verdade somos muito mais parecidos, do que diferentes. ROBERTO MENDES Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Autônoma de Lisboa, Publicitário, especialista em Marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC do Rio de Janeiro, pós-graduado em Engenharia Ambiental, é professor do MBA da UFRJ e da Estácio, Consultor de Empresas, e sócio da TargetComunica, agência de marketing On e Off Line na região Serrana/RJ. #consumos #Marketing #planejamento #negociacao #consumidor