
A pandemia mudou mais do o local onde trabalhamos, mudou nossa relação com o trabalho! Nossa sociedade criou um método de vida baseado na aceleração: notícias rápidas, imagens que piscam, informação superficial, carros que correm, produtos cada vez mais descartáveis e tudo cada vez mais rápido. Nossa impaciência está em tudo, em áudios que aceleramos no Whatsapp, o mesmo fazemos em vídeos no Youtube, não temos paciência para esperar alguém responder uma mensagem, não sabemos fazer mais nada devagar. A cereja do bolo, desta sociedade de consumo turbinada, foi a criação do conceito do “eu mereço” e nos acostumamos a nos centrar em nós mesmos, a nos recompensarmos por tudo que está errado, sem mudar o errado; afinal o consumo é altamente recompensador e o mudar é muito trabalhoso, e assim seguíamos nossos dias ignorando e recompensando, mas veio a pandemia. Ela mudou o ritmo, ela nos fez falar ou ao menos pensar, naquilo que imensa maioria das pessoas evita, acreditando, tal qual faz o avestruz, que não ver é não existir, mas essa doença nos fez pensar na morte, na finitude e no quanto os planos de longo prazo podem ruir. As pessoas ficaram sem saber do amanhã, literalmente, sem saber se teriam trabalho, se poderiam sair às ruas, se estariam vivas. Diante das dúvidas muitas pessoas começaram a pensar na vida, nas opções, nas mudanças. Muitas encararam buracos na família, nas relações desfeitas, nas vidas ocupadas e solitárias, outras descobriram que tinham abandonado fisicamente suas casas, ou seus lares, outros tantos tiveram perdas insubstituíveis e uma multidão descobriu que sua relação com o trabalho era ruim, bem ruim. O home office fez algumas pessoas perceberem como o caminho para o trabalho era sofrido, outras descobriram como ir trabalhar era péssimo, como deixaram de ver o crescimento de seus filhos, como o trabalho tomava mais que oito horas por dia, e como a recompensa do dinheiro parecia pouco, agora, diante de tantas perdas do viver. A pandemia mudou muito mais que o lugar físico onde trabalhamos, ela mudou nossa relação com o trabalho, e muito mais com o trabalho ruim, e consequentemente com a vida. O “eu mereço” agora não estará somente focado na recompensa, mas finalmente para muitos, também no como obtemos a recompensa, e isso é ressignificar a vida, a profissão, e a oportunidade de contribuir para algum projeto maior e principalmente para aquilo que realmente importa. Empresas, colaboradores, clientes, o mundo das relações de consumo/trabalho precisa se realinhar, se reentender, se reequilibrar. Minha esperança é que pessoas serão mais felizes fazendo seu trabalho, focadas em fazer algo que gostem, que se orgulhem, e com isso o resultado da experiência de consumo melhore, tanto para quem a entrega, como para quem a consume. ROBERTO MENDES Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Autônoma de Lisboa, Publicitário, especialista em Marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC do Rio de Janeiro, pós-graduado em Engenharia Ambiental, é professor do MBA da UFRJ e da Estácio, Consultor de Empresas, e sócio da TargetComunica, agência de marketing On e Off Line na região Serrana/RJ. #Vida #Trabalho #Mudancas #Desafios #Vida #Profissional #Marketing #planejamento