
A matéria-prima mais abundante do mundo, sabe qual é? Água? Hidrogênio? Plástico? CO2? Não... Acredito ser o bom senso. Aliás, eu não, todos! Ao menos é o que todos acreditam ter em abundância. Somos todos superdotados de excessivo bom senso, ao menos sempre sob a própria análise individual. Ninguém acredita ter quantidade insuficiente de bom senso, todos acreditam ter bom senso para emprestar e dar aos outros. Aí eu pergunto, por que é tão difícil tudo, se há tanto bom senso no mercado? Clientes são soberanos em bom senso. A máxima que diz: o cliente tem sempre razão, não advém do fato do cliente estar certo, mas sim, dele acreditar estar certo, e isso se dá, pela confiança em seu bom senso! Do outro lado, empresas e empreendedores acreditam serem os reais detentores do bom senso, e ditam, se possível, todas as regras e condições de negócio... e espantam-se, com frequência, diante de seus insucessos e reclamações de clientes ou fornecedores, afinal, muito bom senso estava em prática. E não é só no consumo que o bom senso é abundante, embora raro, nos relacionamentos pessoais e profissionais o mesmo acontece. A cada geração, pais acreditam saber sempre tudo, e filhos então!? Sabem ainda mais. Sempre a geração anterior acredita que o bom senso parece estar se extinguindo no que depende dos outros, os mais velhos - nada sabem mais, os mais novos - muito por aprender. E o que dizer das chefias, lideranças, altos escalões!? Muito bom senso! Ah, bom senso...por que és tão raro, e por que faz todos acreditarem ser teu dono?! O fato é que cada opinião, não raramente, vem carregada de bom senso, na medida ideal que suavemente se impõe sobre os outros uma certeza, uma razão, um domínio do tema, tão naturalmente raro aos outros. Não se culpe, não me culpe, apenas admita secretamente ao menos, ser você, como eu, um portador de alta quantidade de bom senso, quantidade esta, comumente maior do que os demais detêm. E por achar que estou usando de muito bom senso já, ao querer falar sobre ele, acredito ser a hora de parar de usá-lo, afinal, quanto mais se usa o bom senso, menos nos sobra, acredite. E isso não é pela finitude do bom senso, mas pela lógica. Quanto mais se usa, menos se mostra ter. Ótima semana!