
Na última sexta foi dia dos professores, portanto, a data serve para questionarmos as muitas realidades do ensino no país e consequentemente do aprendizado. Erra quem acha que ensino e aprendizado são a mesma coisa. Ensinar pode ser um processo isolado, de cumprir tarefa, de despejar conhecimento e aprender é um processo de colaborativo, de transformação, de crescimento, de aprimoramento. Conheço professores de grande conhecimento, incapazes de gerar aprendizado, e estão nas salas de aula, cheios de alunos, cheios de si, e quase sempre, cheios dos seus alunos... Aluno gosta de aprender, e não necessariamente de estudar. Estudar, por vezes é um mal necessário ao conhecimento. Gostar de estudar não é o normal; o normal, o padrão, é gostar de aprender, gostar de adquirir conhecimento. Penso que é bem melhor ir à praia, andar de moto, estar com amigos, do que ficar estudando, tarefa por vezes solitária e cansativa. E é aí que o professor entra, para encantar, dar sentido ao conteúdo, envolver seus alunos, iluminar o caminho! Professor precisa abandonar a autoridade da sala de aula para ganhar autoridade no tema, abandonar a posição de poder, e assumir a posição de líder, professor tem que dar utilidade ao que fala, tem que acreditar no conteúdo que utiliza, tem que tocar mais do que cérebros, é preciso tocar corações. Professor é um elo de uma complexa cadeia, constituído pela instituição, pelos alunos, pela estrutura, pelo ambiente, pelo tema, e quanto mais sincronizados tudo e todos, melhor o resultado. Mas acredito mais no professor do que em todos os outros, um professor melhora mesmo alunos ruins, instituições fracas, disfarça a falta de estrutura, abafa o ambiente inóspito e digere o tema ruim. Sempre, nos 25 anos que leciono na graduação e depois pós-graduação, sempre disse em sala no primeiro dia de aula que minha função era torna-los melhores do que eles eram, independente do quão bom fossem... Mas a realidade que vejo ao meu redor, quase sempre é desconectada; alunos num gueto, professores parte em pedestais e parte jogados em guetos distintos dos alunos, um conteúdo pouco útil, uma metodologia que não foca no cliente, pais por vezes alheios, esperando que escolas e faculdades resolvam tudo, e nenhum foco no ser humano e seu cotidiano, como filosofia básica que nos faça pensar, nada de arte, economia doméstica, ou cultura de financeira, nada focado no empreender, nada de muito útil... Temos uma máquina de formar “doutores”, estudamos 15 anos para passar no vestibular, para estudar mais 4 e sair da faculdade, e quase todos, sem uma profissão, sem um emprego, sem um plano, apenas com um diploma e muito medo do futuro. Uma pessoa melhora com conhecimento, uma comunidade desponta com o aprendizado, um país prospera com o saber, não há qualquer outro meio de distribuição de renda, de melhoria dos índices de riqueza, de saneamento básico, de igualdade, de bem-estar, de felicidade que não seja pelo conhecimento, formal e pessoal, e isso não passa por uma falsa fábrica de doutores, isso se faz com cidadãos cultos, preparados e formados por professores que amam mais que suas carreiras ou cargos, amam o aprendizado e comprometidos, não apenas com seus alunos, mas com o futuro de seus alunos. Parabéns a todos que são mestres de fazer aprender, aos que apenas ensinam espero que aprendam essa lição. Até a próxima semana.